Bolsonaro foi pior avaliado, mas conseguiu esconder falta de propostas para enfrentar projetos e credibilidade de Lula
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| Bolsonaro e Lula em debate (reprodução/Band) |
As três pesquisas de intenção de voto para o segundo turno da eleição presidencial, divulgadas nesta segunda-feira (19/10), confirmaram um cenário de empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A seis dias do pleito, curva ascendente do incumbente não aponta favorito.
O levantamento do PoderData/Aya mostrou Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. Dos levantamentos recentes, é a única a mostrar o opositor em avanço. Na rodada anterior, os dois candidatos possuíam 50%.
A pesquisa ouviu 3.000 eleitores por telefone, com margem de erro de 1,8 ponto percentual. Já o AtlasIntel/Bloomberg registrou 51,1% para Flávio e 48,9% para Lula, com 4.998 entrevistados pela internet e margem de erro de 1 ponto.
Crescimento de Lula
O resultado mais apertado veio do BTG/Nexus, que apontou 50,3% para Flávio Bolsonaro e 49,7% para Lula nos votos válidos. A diferença de apenas 0,6 ponto percentual, dentro da margem de erro de 2 pontos, dá a dimensão da imprevisibilidade do resultado. O instituto ouviu 2.002 eleitores por telefone. A curva histórica, no entanto, é de ascensão de Lula.
Nos votos totais, incluindo brancos, nulos e indecisos, o BTG/Nexus mostrou Flávio com 46,5% e Lula com 45,9%. Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, os dois apareceram numericamente empatados, com 44,5% cada.
O levantamento também indicou que 90,9% dos eleitores já afirmam ter decisão definitiva de voto, enquanto 8,4% admitem que ainda podem mudar de candidato até o dia da eleição.
A principal leitura dos especialistas em pesquisas é de estabilidade no quadro geral, mas com sinal de aproximação. Na rodada anterior do BTG/Nexus, divulgada em 13 de outubro, a vantagem de Flávio Bolsonaro era maior. Desde então, a distância entre os dois candidatos caiu para menos de 1 ponto percentual.
As pesquisas foram realizadas entre os dias 13/10, no caso da Atlas, ou 16/10, as outras, e 18/10. Refletem, portanto, entrevista da lobista Roberta Luchsinger ao canal CNN no sábado, (17/10). Ela é investigada pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência no governo.
Tida como amiga de Lulinha, filho do presidente da República, Luchsinger, envolvida no escândalo de desvios do INSS, contradita Lula ao afirmar que o presidente conhecia seu trânsito junto a ministros. As informações, ao menos por ora ainda inconsistentes, não interferiram na escolha do eleitorado.
Debate frustrante dá ligeira vantagem a Lula
O que a marca Bolsonaro traz de vantagem a Flávio na propaganda, tira no confronto direto. A imagem forjada de membro mais moderado e educado da família cai no confronto direto.
O senador é mais do debochado, superficial e ignorante perfil do pai. A diferença é que Jair assumia não saber o que fazer na Presidência. Declarou, mais de uma vez, que não esperava ocupar o cargo. Flávio, não.
O filho mais velho entrou na disputa ciente da possibilidade de derrotar o PT. O primeiro debate mostrou que ele se preparou muito para enfrentar o mais experiente debatedor do cenário político atual. Mas só burilou a forma , a “bolsonarice” em segunda não incluiu qualificação no conteúdo.
A fina flor da técnica da manipulação da guerra cultural desenvolvida pela extrema-direita dos Estados Unidos desabrochou sem vergonha. Em lugar de responder perguntas, desviou assuntos com outras perguntas, agressivas e mal-educadas. Explorou a mobilidade permitida pela organização para expressar desaprovações fingidas e desprezo pelas colocações de Lula.
Abusou da permissão a ponto de ser recriminado pelos mediadores do debate. Do que pretende enquanto governo, uma improvável transformação do sistema SUS em atendimento hospitalar de excelência no curto prazo. O discurso soa a casca nova sobre o discurso velho de privatização da saúde.
Não menos estranha soa a promessa de criação do ministério da Prosperidade. A palavra é a senha para incautos acreditarem no milagre do super-enriquecimento com o trabalho precarizado, empanado como empreendedorismo. Não parece ter conseguido novos adeptos.
Pesquisa qualitativa do instituto Travessia, encomendada pel’O Estado de São Paulo, sobre o debate, confirmou a opinião quase unânime do eleitorado. Contra um Lula um tanto desnorteado com o formato solto proposto pela organização no início, um Bolsonaro típico, sem propostas concretas, ataque sistemático e postura aquém de um candidato a presidir a República.
A avaliação principal dos 12 participantes selecionados para a pesquisa foi negativa. O primeiro encontro entre os dois candidatos foi classificado como “decepcionante” e “vergonhoso”.
Embora tenha se exibido mais a seguro e à vontade do que o esperado, Bolsonaro não prevaleceu ao longo das cerca de duas horas do desafio de provar maior qualificação que o incumbente ao quarto mandato.
Lula teve desempenho ligeiramente superior na amostra, com 44,8% de aprovação contra 39,1% de Flávio Bolsonaro. A opinião do grupo sobre o petista oscilou entre a aprovação e a crítica de que foi “repetitivo” e “demagogo”.
Flávio foi marcado como “vazio” e “agressivo demais”, inclusive por parte de seus próprios apoiadores. O filho do ex-presidente sofreu 46,88% de manifestações de rejeição, enquanto o índice de Lula ficou em 35,42%.
Os quatro eleitores de cada candidato não mudaram de opinião. Dos quatro indecisos, apenas um mudou de posição. A mulher optou por Lula com a justificativa da falta de propostas do oponente. O resultado indica que o deslize do presidente não o comprometeu. Ele havia chamado Bolsonaro de carioca malandro, o que poderia incomodar o terceiro maior eleitorado do país.
Se não foi capaz de influir significativamente a posição do eleitorado, o debate acabou sendo melhor para o candidato que queria apenas bagunçar o tabuleiro em vez de discutir propostas, ainda que lhe tenha colado a imagem de infantil e falso.
O desagrado geral deve provocar alterações no comportamento dos dois candidatos para o próximo debate, no dia 23.

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