Virada democrata quebra barreiras e direciona EUA para diversidade real

 Eleições de 2026 alça pretos, indígenas, latinos, árabes, mulheres e gays a posições inéditas na representação política

Ilustração: Blog do Lívio Lamarca/IA


A onda de descontentamento com Donald Trump e com a extrema-direita foi muito maior do que esperavam os próprios opositores.

A manifestação nas urnas, também, foi superior. Onde o voto não é obrigatório, os jovens acompanharam a tendência mundial e participaram do pleito, invertendo a curva dos últimos pleitos. A insatisfação com a economia e a política externa do atual ocupante da Casa Branca talvez tenham sido determinantes, mas não explicam a derrota por si só.


Os democratas superaram a maioria mínima de 218 parlamentares na Câmara dos Deputados, conquistando cerca de 228 cadeiras. Também assumiram o controle do Senado, com 54 assentos. Passaram da maioria simples de 51 cadeiras tomando sete postos dos republicanos. A diversidade marca esta eleição, influenciada pelo movimento de reorganização da sociedade contra o crescimento da extrema-direita em vários países desde meados da década passada.


Mulheres de toda cor


Pela primeira vez, uma mulher negra foi eleita governadora de um estado americano.

Keisha Bottoms (divulgação)
Keisha Lance Bottoms, do Partido Democrata, venceu a disputa na Geórgia com 54,9% dos votos, derrotando o empresário republicano Rick Jackson. O resultado encerra um período de mais de duas décadas de hiato para os democratas. O estado não elegia um governador do partido desde 1998.


A disputa acirrada no reduto robusto dos republicanos foi impulsionada pelo crescimento da região metropolitana de Atlanta. Keisha derrotou um adversário que investiu mais de US$ 200 milhões de sua própria fortuna na campanha. O desequilíbrio financeiro não se converteu em vantagem eleitoral.


Gina Hinojosa(Wikipédia/repdução)
Outros dois estados historicamente redutos republicanos elegeram governadoras democratas com perfis inéditos. No Texas, Gina Hinojosa derrotou o governador republicano Greg Abbott, que buscava o quarto mandato. Hinojosa é a primeira mulher de ascendência latina a governar o estado e a primeira democrata a ocupar o cargo desde Ann Richards, eleita em 1990. A vitória no Texas ocorre em um estado que não elegia um democrata para o Senado desde 1988 e que é considerado um dos principais redutos conservadores do país.


Deb Haaland (divulgação)
No vizinho Novo México, Deb Haaland venceu a disputa pelo governo estadual e se tornou a primeira mulher nativa americana eleita governadora na história dos Estados Unidos. Ela já fizera história como primeira mulher nativa americana eleita para o Congresso e a primeira a chefiar o Departamento do Interior, no governo de Joe Biden. Haaland derrotou o republicano Gregg Hull.


Diversidade no Legislativo



El-Sayed (divulgação)
No Legislativo federal, a eleição de Abdul El-Sayed em Michigan reforça o indício da derrocada do conservadorismo racista e preconceituoso da extrema-direita. O democrata, médico de 42 anos e filho de imigrantes egípcios, derrotou o republicano Mike Rogers e se tornou o primeiro muçulmano eleito para o Senado dos Estados Unidos.

A vitória ocorreu em um dos estados-pêndulo do Meio-Oeste, onde a comunidade muçulmana tem presença significativa e El-Sayed construiu uma campanha com foco em saúde pública e oposição à ajuda militar incondicional a Israel. Teve o apoio da ala mais progressista do Partido Democrata, como Bernie Sanders.



Chris Pappas (redes sociais)
O democrata Chris Pappas derrotou o ex-senador republicano John Sununu em New Hampshire e se tornou o primeiro homem abertamente gay eleito para a Câmara Alta do Congresso dos Estados Unidos. Pappas, de 46 anos, ocupava uma cadeira na Câmara dos Representantes desde 2019 e manteve a vaga sob controle democrata, que pertencia à senadora Jeanne Shaheen.


A vitória ocorre em um estado onde a administração de Donald Trump é impopular e foi obtida sem que o candidato fizesse de sua orientação sexual o eixo central da campanha. Ele promete aumentar os impostos dos bilionários.


A oposição democrata também conquistou cadeiras no Senado em estados como Texas, Ohio, Iowa, Kansas, Carolina do Norte e Carolina do Sul, redutos marcadamente republicanos em eleições nacionais. A soma dessas vitórias em estados de perfil conservador abre espaço para propostas mais liberais, ao menos moderadas, onde vinha se solidificando a intolerância e o reacionarismo.




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