Petista se torna o primeiro candidato a reverter uma desvantagem desde 1989 com queda na abstenção e recuperação no Sudeste
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| Comemoração de petistas na Av. Paulista (Lívio Lamarca/Ponto Incomum) |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) para o seu quarto mandato presidencial, em uma das eleições mais acirradas e atípicas da história recente do Brasil. Com 100% das urnas apuradas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a vitória do petista com 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos. O senador Flávio Bolsonaro (PL) obteve 59.826.041 votos, ou 48,21%, uma diferença de mais de 4,4 milhões de votos a favor de Lula.
O resultado consolida uma reviravolta sem precedentes. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro havia terminado na liderança, com 56.104.503 votos (47,03%), contra 53.879.538 votos (45,16%) de Lula — uma vantagem de 1,87 ponto percentual ou cerca de 2,2 milhões de votos para o senador. Lula, no entanto, conseguiu um crescimento de mais de 10,3 milhões de votos entre os dois turnos, enquanto Flávio somou pouco mais de 3,7 milhões.
Quebra de tradições e recordes
A vitória de Lula rompeu uma tradição que perdurava desde a redemocratização. Desde 1989, nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar havia vencido a eleição presidencial no Brasil. Lula se tornou o primeiro a reverter esse quadro, inaugurando uma virada histórica no segundo turno.
Além disso, o petista conquistou um feito inédito ao garantir um quarto mandato presidencial pelo voto direto. Com o novo mandato, que se estenderá de 2027 a 2030, Lula acumulará 16 anos no poder, consolidando-se como o líder com mais tempo de mandato na história da democracia brasileira moderna.
Queda histórica da abstenção
O segundo turno de 2026 também registrou uma queda significativa no número de eleitores que deixaram de comparecer às urnas. A abstenção caiu de 33.469.244 no primeiro turno para 30.509.005 no segundo, uma redução de mais de 2,9 milhões de pessoas. Em termos percentuais, o índice passou de 21,08% para 19,22% do eleitorado apto a votar.
Trata-se da maior queda na abstenção entre turnos desde a redemocratização e do menor percentual de ausências em um segundo turno desde 2006 (quando foi de 18,99%). Os votos brancos e nulos também diminuíram: juntos, passaram de 4,77% no primeiro turno para 3,24% no segundo.
Transporte limitado leva à inédita extensão do horário de votação
O dia da votação foi marcado por uma decisão inédita. As campanhas de ambos os candidatos recorreram à Justiça Eleitoral para pedir a prorrogação do horário de votação, inicialmente previsto para encerrar às 17h. A campanha de Lula solicitou a extensão em todo o território nacional, alegando problemas no transporte público que dificultaram o deslocamento de eleitores, especialmente em Salvador e São Paulo. Já a campanha de Flávio Bolsonaro pediu a prorrogação apenas em cidades de três estados — São Paulo, Paraná e Santa Catarina —, justificando o pedido por causa de temporais e alagamentos nessas regiões.
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu os pedidos e determinou a prorrogação do horário de votação até as 19h em todo o país, decisão posteriormente referendada pelo TSE. A medida, porém, valeu apenas para as seções eleitorais que ainda estavam abertas; urnas já encerradas não foram reabertas.
Segundo dados do TSE, 34.330 eleitores votaram após as 17h, já durante o período de prorrogação. Desse total, 13.961 votos foram registrados entre 17h e 17h01, e 5.329 votos foram computados entre as 17h e o último voto, às 19h06.
Bolsonaro não aceita derrota
Apesar da diferença de mais de 4,4 milhões de votos, o candidato derrotado, Flávio Bolsonaro, anunciou que não reconheceria o resultado da eleição e que pediria a anulação do pleito. A justificativa apresentada pelo senador foi a decisão do ministro Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação.
"É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições", declarou Flávio na noite de domingo, em frente ao seu comitê de campanha, em Brasília. O senador criticou duramente a decisão do STF, afirmando que houve "quebra total de isonomia" entre os eleitores e que a regra do jogo foi alterada no meio da disputa.
A decisão de Zanin, no entanto, atendeu a pedidos de ambas as campanhas, incluindo a do próprio Flávio Bolsonaro, que havia solicitado a prorrogação em municípios de três estados. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, deve manter a proclamação do resultado e descartar os questionamentos apresentados pelo candidato do PL.

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