Santiago Peña, ex-acionista da holding, renunciou ante apoio da base política a impeachment
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| Bano Ueno (divulgação) |
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5/10), três dias após o Banco Central do Paraguai (BCP) intervir no Ueno Bank, maior banco digital do país, por insuficiência de solvência. A decisão foi anunciada em vídeo publicado nas redes sociais, horas antes de a Câmara dos Deputados votar a abertura de um processo de impeachment contra ele por suposto conflito de interesses com a instituição financeira colapsada.
O agora ex-presidente pediu desculpas ao povo, mas evitou assumir responsabilidade direta pela crise bancária. A renúncia ainda precisa ser aceita pelo Congresso paraguaio. Caso confirmada, o vice-presidente Pedro Alliana assumirá o cargo para completar o mandato até 2028.
A intervenção no Ueno Bank
A crise começou na madrugada de terça-feira (3/10), quando o BCP anunciou a resolução do Ueno Bank após detectar que o índice de solvência da instituição estava abaixo de 50% do mínimo legal exigido. O banco, controlado pelo Grupo Vázquez, atendia cerca de 3 milhões de clientes, cerca de 40% da população paraguaia. Dois terços dos pagamentos eletrônicos no varejo, o equivalente a 3 milhões de transações por dia, passavam pela instituição.
Com a intervenção, as contas dos clientes foram bloqueadas e os ativos e passivos, congelados. O Ueno Bank administrava cerca de US$ 850 milhões em fundos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previsão Social (IPS), órgão responsável pelas aposentadorias e pela seguridade social dos trabalhadores paraguaios. A medida deixou aposentados sem acesso aos seus recursos e provocou filas e protestos em frente às agências.
Envolvimento de Peña e o BCP com o Ueno
Pouco após o anúncio da intervenção, o presidente do BCP, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo. Carvallo havia dirigido o próprio Ueno Bank até agosto de 2023, o que ampliou as suspeitas sobre a supervisão da instituição. Ele afirmou que seu afastamento ajudaria a “acalmar a controvérsia” em torno da autoridade monetária.
Na esteira da crise, a Justiça paraguaia ordenou a prisão de oito executivos e ex-executivos do Ueno Bank. Entre os detidos estão Federico Miguel Vázquez Villasanti, presidente e CEO da instituição e principal acionista do Grupo Vázquez, e Juan Manuel Gustale, presidente do conselho do banco. O Ministério Público abriu investigação criminal sobre os eventos que levaram ao colapso.
O presidente Santiago Peña foi acionista da holding controladora do Ueno Bank até março de 2025, já durante seu mandato presidencial.
A oposição acusou o presidente de conflito de interesses e de cooptação do Estado, alegando que o crescimento exponencial dos depósitos de fundos públicos no banco a partir de 2023 teria relação com sua proximidade com o Grupo Vázquez.
O pedido de impeachment inclui também manipulação e omissão na supervisão do sistema financeiro.
Venda do comércio desaba com quebra do Ueno
A quebra do Ueno Bank paralisou parte do comércio paraguaio. A Associação de Importadores e Comerciantes do Paraguai (Asimcopar) alertou para uma “semiparalisação” do mercado, com interrupção de cerca de 70% das vendas no varejo em razão da dependência do banco para transações eletrônicas.
O episódio também lançou dúvidas sobre a reputação do Paraguai como destino de investimento estrangeiro, construída nos últimos anos com base em estabilidade macroeconômica e baixa tributação.
O BCP afirmou em nota oficial que o caso é isolado e não indica problemas sistêmicos no restante do sistema financeiro, e que os depositantes terão garantido o pagamento de até 75 salários mínimos (cerca de US$ 39 mil) por meio do Fundo de Garantia de Depósitos, o equivalente ao brasileiro FGC.
Ueno é o banco Master paraguaio?
(com informações do BCP, El Cronista e La Nación)

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