1973, Chile -11 de setembro - Brasil, 2025

 A condenação histórica do Núcleo Crucial da trama golpista aconteceu no dia do golpe militar contra Allende, no Chile.

Bombardeio ao Palácio de La Moneda (Reprodução/Biblioteca do Congresso Nacional do Chile)

 A sessão do Supremo Tribunal Federal do dia 11 de setembro de 2025 foi aberta às 14 horas, com a formalidade protocolar.

Eram 14 e quase 15 minutos quando a ministra Cármen Lúcia iniciou o resumo da declaração do voto que resgatou o trabalho da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República, concluindo na condenação inédita de promotores de um golpe de Estado no Brasil.


Às 14h15 de um mesmo 11 de setembro, 52 anos antes, foi anunciada em Santiago a morte de Salvador Allende, presidente eleito no Chile. Encurralado na sede do governo, o Palácio da La Moneda, pelo comandante-em-chefe das Forças Armadas, general Augusto Pinochet, tinha nas mãos uma metralhadora AK-47. Oficialmente, suicidou-se, mas há historiadores defensores de que foi assassinado pelo pelotão invasor do local.


Pinochet assumira o posto 18 dias antes, depois que o titular, general Carlos Prats, se recusara a participar do golpe de Estado. Estamos contando esta história agora porque a pressão que fizeram a comandantes militares aqui, com participação direta do então presidente Bolsonaro, não prosperou como lá.


A decisão do STF não resgata apenas a dívida do Brasil com a América do Sul. Como liderança regional, pode desencorajar aventuras antidemocráticas. Ao mundo, o país deixa a lição de como proceder ante a onda da extrema-direita.

O mais significativo deste evento foi a possibilidade do Brasil tomar autonomamente a decisão de acertar as contas com seu passado, cuidar do presente e definir seu futuro, como bem resumiu Cármen Lúcia.


O país, como todo o continente, quando não refém, sempre dependeu de estrangeiros em grandes crises políticas e econômicas. Ou os Estados Unidos patrocinando a derrubada de governos, ou a Europa em apoio à luta de resgate da soberania e da democracia.


Pinochet, doente, deixou o governo por pressão da justiça da Espanha e da Inglaterra. A opinião pública estrangeira foi mobilizada com a participação de Sting, celebridade pop como ex-líder da banda roqueira The Police.


Sting e a composição que ajudou a derrubar Allende


A ditadura militar no Chile é um dos períodos mais sangrentos da história da América Latina. Aos artistas ficou a tarefa denunciá-la. Sting foi o maior contribuinte na música pop.


Ele devia estar em uma poltrona confortável quando leu a reportagem, pois já tinha feito fortuna. Da liberdade de imprensa que desfrutava em Londres surgiu a inspiração para a música sobre aquelas pessoas que dançavam sozinhas em frente ao Palácio La Moneda.


Eram parentes dos cerca de 3 mil desaparecidos durante o governo de Augusto Pinochet.


Liberdade traz essas inquietudes, e o milionário veio bater na América Latina. Assim tinha que ser antes da internet. Inglês não perde a expedição, leva tudo o que encontra no caminho. E o mundo tomou pé e posição sobre a defesa das florestas e dos povos indígenas também.


Sting foi o Leonardo Dicaprio dos anos 80-90. Como o sucessor, foi chamado de chato e aproveitador. A relação que intermediou entre o cacique Raoni e líderes europeus frutificou.


Dançando só

Esta composição de 1987 rodou o mundo no show da Anistia Internacional em 88. Os chilenos só puderam ouvi-la em seu país depois de 1990. Estava censurada.


 

Em nome ainda não se sabe de que, o ministro Luiz Fux dedicou-se a uma ginástica retórica, com abuso da oratória, para amenizar a reprovação a atos deste tipo por aqui.


Apesar de retratar a face mais violenta da ditadura instalada em 11 de setembro de 1973, o Papa Francisco, que vira cena parecida no quintal da paróquia, a incluiria entre os prazeres liberados. Porque a música é bonita.

Nos Estados Unidos, os democratas celebram o julgamento, se alimentam dele para tentar escapar do catatonismo em que se encontram com o vendaval de factoides produzidos por Trump. Ao mesmo tempo, seus apoiadores estão consternados com o assassinato de Charlie Kirk, um influenciador da extrema-direita alvejado por um atirador do alto do telhado. 

Ao Papa Leão XIV, acostumado a cenas assim no país de sua paróquia natal, so resta o lamento.  





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