CBF lança Sistema de Sustentabilidade Financeira para o futebol brasileiro

Modelo inspirado em padrões internacionais estabelece limites para dívidas e gastos com elenco a partir de 2026, desde que os cartolas o acatem

Samir Xaud, presidente da CBF (Rafael Ribeiro/CBF) 


A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou nesta quarta-feira (26/11) o Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF). O modelo, construído coletivamente com clubes e federações, estabelece regras inspiradas em padrões internacionais de Fair Play Financeiro, definindo limites para dívidas, gastos com elenco e capacidade de endividamento dos clubes brasileiros. Com implantação gradual a partir de 2026, o sistema será fiscalizado pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), órgão independente criado especialmente para esta função.


Quatro pilares fundamentais


O Fair Play Financeiro brasileiro baseia-se em quatro pilares: controle de dívidas em atraso, equilíbrio operacional, controle de custos com elenco e capacidade de endividamento de curto prazo. De acordo com a CBF, inspirado em ligas da Inglaterra, França, Espanha e da UEFA, o modelo traz adaptações à realidade nacional. A principal novidade é a ausência de limites para aportes de capital, permitindo que investidores estrangeiros e SAFs continuem injetando recursos nos clubes sem restrições, desde que mantida a saúde financeira operacional.


Governança independente


A implantação do Fair Play Financeiro vem acompanhada pela criação da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol. A ANRESF é composta por sete diretores com mandato de quatro anos e notório saber econômico-financeiro ou jurídico. O órgão terá poder para avaliar, julgar, negociar acordos e aplicar sanções que vão desde advertências e multas até dedução de pontos, rebaixamento e banimento de pessoas físicas. A agência representa o compromisso da CBF em implementar o modelo com seriedade e credibilidade técnica, garantindo sua efetividade no longo prazo.


Regulamento e Pessoas 

O SSF é o segundo grande movimento do atual presidente da entidade sob argumento de reorganização da modalidade no país. A primeira foi a mudança no calendário a partir do ano que vem. 

A segunda é mais ousada e arriscada. Transparência e cumprimento de contratos não são características habituais no futebol do Brasil. 

Nos últimos 20 anos houve ao menos quatro iniciativas de incentivo e reorganização financeira, com o objetivo de sanar especialmente as dívidas para com a Receita Federal. Nenhuma foi capaz de alterar o comportamento dos clubes, devedores contumazes de salários, FGTS e outros tributos. 

O presidente traz para sua entidade a responsabilidade pela fiscalização e pela punição àqueles que desrespeitarem o fair play. A ANRESF, com promessa de independência, é uma arquitetura  teoricamente resolutiva.   

Em funcionamento, deve ser impermeável à influência da cartolagem. Uma pequena casta de dirigentes não apenas escolhe o presidente da entidade, mas também exerce pressão sobre o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

As regras só produzem efeito se houver quem decida segui-las. O trabalho de Xaud só começa. 

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