Toffoli manda PF enviar celulares do caso Master ao STF

 Decisão foi proferida um dia após a PF relatar a Fachin menções ao nome do ministro em diálogos no celular de Daniel Vorcaro, dono do banco

Dias Toffoli (Marcelo Camargo/Agência Brasil)


O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (12/2) que a Polícia Federal encaminhe à Corte o conteúdo de todos os telefones celulares apreendidos na investigação sobre fraudes no Banco Master. 

A ordem foi dada um dia depois da PF ter entregado ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório no qual informa ter encontrado menções ao nome de Toffoli em conversas extraídas do aparelho de Daniel Vorcaro, dono do Master e principal investigado no caso. Diante de outro fato a abalar a reputação do STF, Toffoli reafirma sua posição de seguir à frente do caso, apesar do mal-estar no Judiciário e até desconforto do Executivo.

A decisão reacende questionamentos sobre a condução do inquérito pelo ministro, que já era alvo de pressão desde dezembro, quando veio a público uma viagem feita por ele em jatinho particular no qual estava o advogado de um dos investigados. 

Não é a primeira vez que Toffoli busca ter acesso direto ao material apreendido: em episódio anterior, ele chegou a determinar que provas colhidas em uma das fases da Operação Compliance Zero fossem remetidas diretamente ao Supremo, antes mesmo de passarem pela perícia da PF. Na ocasião, recuou parcialmente, embora tenha insistido na escolha dos peritos responsáveis.


PF pede suspeição


Na última segunda-feira (9/2), a PF formalizou a Fachin o pedido de suspeição de Toffoli como relator do inquérito. O pedido se baseia na menção ao nome do ministro em mensagens encontradas no celular de Vorcaro, cujo teor está protegido por segredo de Justiça. 

As conversas envolveriam também Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e descrito como uma espécie de contador informal de Vorcaro, e estariam relacionadas ao resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR).

Após ser notificado, Fachin abriu um processo interno e determinou que Toffoli apresentasse defesa. Cabe ao presidente do STF decidir se o ministro permanecerá na relatoria do caso.


Empresa familiar e resort


Em nota divulgada na manhã desta quinta, o gabinete de Toffoli reconheceu que o ministro é sócio da Maridt, empresa familiar da qual também participam irmãos e outros parentes. Segundo o gabinete, a participação da Maridt no resort Tayaya foi vendida em duas etapas: parte ao fundo Arleen, em 27 de setembro de 2021, e parte à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025. Ambos os negócios teriam sido declarados à Receita Federal.


A nota ressalta que, pela Lei Orgânica da Magistratura, o ministro pode integrar quadros societários e receber dividendos, sendo-lhe vedado apenas exercer atos de gestão como administrador. O gabinete destacou ainda que, quando o inquérito do Master chegou à sua relatoria, em novembro do ano passado, a Maridt já não detinha participação no empreendimento.

Toffoli afirmou, por meio de seu gabinete, que "jamais teve qualquer relação de amizade, e muito menos amizade íntima, com o investigado Daniel Vorcaro", e que "jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel".

Em nota anterior, divulgada na noite de quarta-feira (11/2), o gabinete classificou o pedido de suspeição formulado pela PF como fruto de "ilações" e contestou a legitimidade da corporação para requerer o afastamento de magistrados. 

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central após a frustração da tentativa de venda da instituição ao BRB, cujo maior acionista é o governo do Distrito Federal.

Desde a revelação do que é um dos maiores escândalos político-financeiros do país, as investigações apontam para um grande esquema criminoso infiltrado em diversas instâncias do poder.


(com informações da Ag. Brasil e STF)

Postar um comentário

0 Comentários