Em 12 meses, índice cai a 3,81%; governo corta impostos contra “inflação de guerra”
| Foto: Vlada Karpovich |
A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -IPCA- ficou em 0,70% em fevereiro de 2025. A alta de 0,37 ponto percentual em relação ao 0,33% registrado em janeiro foi apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -IBGE. No acumulado do ano, o índice chegou a 1,03%, enquanto nos últimos doze meses recuou para 3,81%, abaixo dos 4,44% do período anterior.
Os grupos Educação e Transportes foram responsáveis por cerca de 66% do resultado do mês. O setor educacional liderou as altas com variação de 5,21%, reflexo dos tradicionais reajustes de início do ano letivo, com destaque para ensino médio (8,19%), fundamental (8,11%) e pré-escola (7,48%). Já em Transportes, a alta de 11,40% nas passagens aéreas e os reajustes nas tarifas de ônibus urbano em diversas capitais, como Fortaleza (20,00%) e Recife (4,46%), pressionaram o índice.
Em contrapartida, os combustíveis registraram queda de 0,47%, com recuos na gasolina (-0,61%) e no gás veicular (-3,10%). Na alimentação, o açaí (25,29%), o feijão-carioca (11,73%) e os ovos (4,55%) puxaram a alta, enquanto frutas (-2,78%) e óleo de soja (-2,62%) amenizaram o resultado. Regionalmente, Fortaleza registrou a maior variação (0,98%) e Rio Branco, a menor (0,07%).
“Inflação de guerra” leva a corte de impostos sobre diesel
Embora em queda no levantamento, o ministério da Fazenda avaliou que os combustíveis podem sofrer pressão do aumento do petróleo causado pela guerra no Oriente Médio. Por isso, o governo anunciou corte de impostos no setor.
O decreto presidencial assinado nesta quinta-feira (12/3) zera as alíquotas do PIS e da Cofins sobre a importação e comercialização do diesel.
No curto prazo, a política da Petrobras tem sido absorver a flutuação de preços, mas o estouro da cotação do barril, que superou os 20%, valendo cerca de U$100, oscilando nas declarações controversas do presidente dos EUA e resistência do regime iraniano, levou a medidas preventivas temporárias.
O objetivo claro, em ano eleitoral, é evitar a especulação financeira, danosa ao IPCA, e a política, prejudicial à imagem do presidente Lula.
Além do decreto, foi anunciada medida provisória com subvenção aos produtores e importadores.
Juntas, as iniciativas devem reduzir o preço do litro do diesel em R$ 0,64, segundo o ministério da Fazenda. A subvenção será condicionada à comprovação de repasse aos consumidores finais.
Para compensar a perda de arrecadação, o governo passará a cobrar alíquota de 12% sobre a exportação de petróleo.
“Para que a gente garanta que essa guerra não chegue ao bolso do motorista, ao bolso do caminhoneiro e, sobretudo, não chegando ao bolso do caminhoneiro não vai chegar ao prato de feijão”, afirmou Lula em coletiva no Palácio do Planalto.
As medidas são válidas até 31 de dezembro.
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