Renda média no Brasil em 2025 é a maior da história

IBGE registra alta de 5,4% com quarto ano consecutivo de expansão, mas disparidades regionais e desigualdade continuam altas

Foto: Karen Laårk Boshoff
O rendimento médio mensal real de todas as fontes da população residente alcançou R$ 3.367,00, o maior valor desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), em 2012. O recorde foi anunciado nesta sexta-feira (8/5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE):

O resultado representa um crescimento de 5,4% em relação a 2024 e consolida uma trajetória de recuperação econômica. Com este resultado, consolida-se o quarto ano consecutivo de expansão dos rendimentos no país, sinalizando uma tendência de melhoria após os impactos da pandemia de COVID-19.


Recuperação consistente supera período pré-pandemia

A performance economicamente positiva ganha ainda mais relevância quando comparada ao período anterior à crise sanitária. 

O rendimento médio de 2025 ficou 8,6% acima do registrado em 2019 e impressionantes 12,8% superior ao observado em 2012.

 Essa recuperação consistente desde 2022 demonstra a solidificação dos ganhos obtidos nos últimos anos.

Dos 212,7 milhões de pessoas residentes no Brasil, 67,2% possuem algum tipo de rendimento — equivalente a 143,0 milhões de pessoas —, percentual recorde na série histórica. Todavia, essa recuperação não beneficia uniformemente todo o território nacional.


Desigualdade regional persiste

As disparidades geográficas permanecem acentuadas. A Região Sul lidera com 70,9% de sua população com rendimentos, enquanto Norte (60,6%) e Nordeste (64,4%) apresentam os menores percentuais, apesar dos avanços registrados.

Essa diferença se reflete também nos valores: enquanto Centro-Oeste (R$ 4.133), Sul (R$ 4.026) e Sudeste (R$ 3.958) registram rendimentos habituais do trabalho mais elevados, Norte (R$ 2.777) e Nordeste (R$ 2.475) ficam significativamente abaixo da média nacional.


Mercado de trabalho impulsiona crescimento

O rendimento proveniente do trabalho permanece como principal fonte de renda, alcançando R$ 3.560 em 2025 — uma alta de 5,7% frente a 2024. Este também é o maior valor da série histórica, com crescimento acumulado de 11,1% desde 2019.

Aproximadamente 47,8% dos residentes mantêm rendimento habitual do trabalho, enquanto 27,1% recebem de outras fontes, incluindo aposentadorias, pensões e programas sociais. A massa de rendimento do trabalho atingiu R$ 361,7 bilhões, crescimento real de 7,5% em relação a 2024 e 23,5% comparado a 2019.


Programas sociais

Os programas sociais do governo ganham relevância crescente. Em 2025, 9,1% da população recebia rendimentos de programas assistenciais, percentual estável em relação a 2024, mas acima dos níveis pré-pandemia. O valor médio desses benefícios chegou a R$ 870, crescimento de 71,3% desde 2019.

Contudo, os dados revelam a vulnerabilidade dessa população. Os domicílios que recebem Bolsa Família possuem rendimento per capita de apenas R$ 774 — menos de 30% do rendimento dos que não recebem o benefício (R$ 2.682). No geral, domicílios beneficiados por programas sociais têm rendimento inferior a um terço do de não beneficiados.


Renda domiciliar no pico não mitiga desigualdade

O rendimento médio domiciliar per capita atingiu R$ 2.264, crescimento de 6,9% frente a 2024 e 18,9% desde 2019. Porém, a distribuição permanece concentrada: os 10% com maiores rendimentos recebem 13,8 vezes mais que os 40% com menores rendimentos, e detêm 40,3% de toda a massa de rendimentos.

O índice de Gini, que mede desigualdade, apresentou relativa estabilidade em 0,511 para renda domiciliar, permanecendo inferior aos níveis pré-pandemia (0,543), mas demonstrando que avanços econômicos ainda ocorrem dentro de estruturas profundamente desiguais.


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