Müller acusa Nike de interferir em convocações do Brasil nos anos 90

Jogador do tetra mundial afirmou que ingerência comercial era prática na CBF 

Müller em entrevista ao Estadão (Estadão/reprodução)

O tetracampeão mundial Müller reabriu a questão que chegou a tema de uma CPI no Congresso Nacional. Ao participar do programa “Seleção Estadão” nesta terça-feira (16/6) afirmou que a Nike, fornecedora de material esportivo da seleção brasileira, interferiu diretamente em convocações do time nacional na década de 1990.

Ao longo de vinte anos de carreira, sendo doze de seleção brasileira, com três Copas do Mundo, vi que realmente o futebol virou um negócio. Ninguém duvida. Nos anos 90, quando a Nike entrou, em 96 na seleção brasileira, realmente o pessoal da CBF chegava para os jogadores e dizia: ‘Assina com a Nike se não você não vai ser convocado’”, afirmou o ex-atacante.

A derrota do Brasil para a França na final da Copa de 1998, por 3 X 0, foi alvo de investigação dos parlamentares depois de boatos da entrega do resultado por influência da marca americana. O jogo fora precedido por uma convulsão até hoje não explicada de Ronaldo no dia anterior. Escalado pelo técnico Zagallo, os jogadores afirmaram que a desatenção a que se credita a derrota fora preocupação com o atacante. 

Ronaldo, em depoimento à CPI,  declarou que a derrota foi uma situação normal de jogo. Disse também que entrou no último instante ( a escalação, divulgada cerca de uma hora antes da partida, trazia Edmundo na posição) por insistência dele mesmo. A investigação terminou sem evidências de interferências. O assunto ainda paira nas rodas de futebol com a aura de teoria da conspiração. Müller, na época, não se pronunciou. 

"Imagine agora"

Müller foi categórico ao afirmar que presenciou a situação. “Eu presenciei isso. Se ela tinha uma imposição há vinte anos, imagine agora. Lógico que não posso falar agora porque não estou lá. Mas em 96 teve sim essa ingerência, não de escalação, mas de convocação. O interesse comercial é muito grande”, completou.

O ex-jogador relatou ainda que os atletas eram pressionados diretamente: “Os jogadores diziam: ‘Poxa vida, o cara da CBF falou assim: se eu não assinar, eu não vou ser convocado. Se eu não assinar um contrato com a Nike, eu não vou ser convocado para a seleção’”.

O jornal diz que procurou os acusados, mas a Nike não respondeu aos contatos, enquanto a CBF informou que não se manifestaria sobre o assunto. 


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