O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, causou
indignação entre jornalistas na coletiva realizada ontem quando falava do
feriado decretado durante a visita do Papa.
O plano de esvaziamento da cidade com o objetivo de aliviar
o tráfego para visitantes, autoridades e comitiva papal começa às 16 horas
desta terça-feira ( 23), terminando ao meio-dia da próxima segunda-feira ( 29).
Além de facilitar o trabalho dos estimados 22 mil seguranças mobilizados para
proteger o sumo pontífice e monitorar possíveis manifestações de protesto.
Um repórter francês abandonou a coletiva depois da resposta
do prefeito à pergunta se o feriado não
era longo demais.
Ao justificar a visita como motivo de uma grande festa para
os brasileiros, Paes emendou:
- A França não é exatamente um modelo de gente trabalhadora.
O caso mostra a tensão que cerca os poderes públicos diante
da Jornada Mundial da Juventude, marcada até agora pela recusa de Francisco em
usar um papamóvel blindado e por um encontro a portas fechadas com a presidenta
Dilma Roussef e o governador do estado, Sérgio Cabral.
Disposto e bem-humorado, o Papa até burlou a agenda e deu
uma entrevista no avião aos jornalistas que o acompanham. Brincou com clichê “Deus
é brasileiro”.
Bergoglio está em clima de férias. Depois de apertar o cerco
contra os pedófilos da Igreja, auditar as contas do Vaticano e prestar
solidariedade aos imigrantes africanos na ilha de Lampedusa, cumpre o mesmo
roteiro de artistas famosos de língua inglesa: show em Copacabana, visita à
favela e encontro com a Presidenta, além da esticada respeitosa a São Paulo (
Aparecida).
O roteiro incoerente com a postura de Francisco é, a
princípio, mesmo para inglês ver. O discurso, por ora, está mais voltado à
realidade europeia que à latina.
O que o tornaria distinto de Madonna, Michael Jackson, Bono
Vox, rappers e afins seria o como vai falar sobre a pobreza e a igualdade.
A tensão dos governantes simbolizada
na estupidez de Paes está no dilema do Papa.
Dependendo do tom e das palavras, Francisco pode inflamar a massa.
Se, diplomático demais, frustrará os que esperam algo além
das dancinhas e canções que marcaram o catolicismo nas últimas décadas. Dependendo do tom e das palavras, Francisco pode inflamar a massa.
A estes, ávidos por sinais de apoio para voltar às periferias e retomar os fiéis perdidos, a JMJ inspirada no cheiro de povo ne transformaria na inodora rosa americana.
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