EUA priorizam mercado de trabalho enquanto Brasil busca inflação dentro da meta
| Ilustração: Ponto Incomum/Pixabay |
O Federal Reserve cortou sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira e sinalizou mais duas reduções até o final do ano, priorizando o enfraquecimento do mercado de trabalho sobre riscos inflacionários. Em contraste, o Banco Central brasileiro manteve a taxa Selic em 15% ao ano, citando inflação acima da meta e expectativas desancoradas.
A decisão do Fed teve apoio da maioria dos diretores, incluindo os indicados por Donald Trump. Apenas Stephen Miran, novo diretor e chefe licenciado do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, defendeu um corte maior de 0,50 ponto percentual.
Cenários opostos
Enquanto o Fed minimiza riscos inflacionários das políticas comerciais americanas e foca no crescimento econômico, o Copom destacou que a inflação brasileira e suas expectativas permanecem acima da meta - 4,8% para 2025 e 4,3% para 2026, contra o centro da meta de 3%.
O Comitê brasileiro, em decisão unânime liderada por Gabriel Galípolo, citou ainda preocupações com possíveis tarifas americanas ao Brasil e a necessidade de manter juros em “patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado” para assegurar a convergência da inflação.
A divergência nas políticas monetárias reflete os diferentes desafios econômicos: os EUA buscam evitar recessão e desemprego, enquanto o Brasil combate pressões inflacionárias persistentes em meio a incertezas fiscais e externas.
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