Vieira e Rubio se reúnem por uma hora em Washington

Brasil quer redução de tarifaço de 50% e fim de sanções em contexto de tensão com Venezuela e cobiça por terras raras

Chanceler Mauro Vieira (Lula Marques/Ag. Brasil)


 O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, encontrou-se com o secretário de Estado americano Marco Rubio em reunião que durou aproximadamente uma hora, tendo como objetivo principal negociar a reversão dos aumentos tarifários impostos pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

O encontro começou com uma reunião reservada de 15 minutos entre os dois chanceleres, seguida de uma sessão ampliada com a participação de representantes de ambos os países. Pelo lado brasileiro, estiveram presentes os embaixadores Mauricio Carvalho Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente e sherpa do Brasil no BRICS; Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros; e Joel Sampaio, chefe da Assessoria Especial de Comunicação Social. Os Estados Unidos foram representados pelo representante comercial Jamieson Greer.


Agenda brasileira focada no comércio


A principal demanda brasileira foi a eliminação da tarifa extra de 40%, que resulta em um imposto total de 50% sobre produtos nacionais, especialmente do agronegócio e da indústria. Além disso, o Brasil busca a suspensão das sanções impostas a autoridades brasileiras, incluindo as medidas contra o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal.

A estratégia brasileira manteve o foco estritamente em questões comerciais e econômicas, evitando concessões políticas consideradas "inquestionáveis" pelo governo nacional.


Encontro destrava relação


A reunião representa um esforço para aliviar as tensões recentes entre os dois governos e ocorreu após contato telefônico entre os presidentes Lula e Trump na semana anterior. O encontro também serve como preparação para um possível encontro presencial futuro entre os chefes de Estado.

Espera-se que o lado americano tenha abordado questões geopolíticas, incluindo as situações na Venezuela e em Cuba, além de expressar preocupações com a proximidade do Brasil com a China. Os Estados Unidos também demonstram interesse no acesso a minerais críticos brasileiros, como lítio e nióbio, e em condições mais favoráveis para suas empresas de tecnologia.

Ao final do encontro, Vieira declarou que a reunião foi "produtiva", embora não tenha revelado detalhes específicos sobre os resultados das negociações.

Não se esperava algo de concreto definido neste encontro. Pelo perfil de Donald Trump, interessado em anunciar pessoalmente decisões relevantes, é possível que se tenha definido apenas a agenda de um encontro entre os dois presidentes. 


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