Suprema Corte dos EUA barra tarifas globais impostas por Trump

Tribunal decidiu, por 6 a 3, que presidente excedeu autoridade ao usar lei de emergência

Suprema Corte dos EUA (Following NYC)

A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as tarifas globais impostas pelo presidente Donald Trump ao decidir, por 6 votos a 3, que o republicano excedeu sua autoridade ao utilizar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) como instrumento para estabelecer barreiras comerciais. 

O tribunal reafirmou que a competência para tributar e definir tarifas é exclusiva do Congresso, rejeitando o argumento da Casa Branca de que leis de emergência autorizam ações executivas unilaterais dessa magnitude.

Devolução de tarifaço


A sentença invalida bilhões de dólares em sobretaxas aplicadas sob a justificativa emergencial, mas não afeta tarifas fundamentadas em outras legislações, como as que incidem sobre aço e alumínio. 
A distinção é relevante porque preserva parte da política comercial do governo, ao mesmo tempo em que impõe limites claros ao uso de poderes presidenciais extraordinários.

Um dos desdobramentos mais complexos da decisão envolve o possível reembolso de aproximadamente US$ 175 bilhões já arrecadados junto a importadores. Especialistas em direito comercial avaliam que o processo de devolução será longo e burocrático, com disputas jurídicas que podem se estender por anos nos tribunais federais.

A devolução poderia ser agilizada em caso de concordância do governo.

Trump reclama de "deslealdade"


Em reação imediata, Trump classificou a decisão como uma "deslealdade à Constituição" e sinalizou que buscará meios alternativos para restaurar as políticas protecionistas. Entre as possibilidades aventadas por analistas estão o envio de projetos legislativos ao Congresso ou a invocação de outras bases legais para justificar novas barreiras tarifárias.
Trump afirmou que sobretaxará todos os países em 10% ainda na sexta-feira (20/2).

No cenário internacional, a decisão foi recebida com cautela. Países como Brasil, México e Reino Unido observam o desfecho como um passo em direção à maior previsibilidade nas relações comerciais, embora reconheçam que novas barreiras ainda possam surgir por meio de instrumentos legislativos distintos. 

Para essas nações, a clareza sobre os limites do poder executivo americano talvez represente um fator de estabilidade, caso permaneça a decisão, nas negociações bilaterais.

O presidente em exercício do Brasil, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que a possível tarifa de 10%, aplicada a todos, repõe a competitividade nacional perdida desde o conflito tarifário. O país estava com alíquota de 40% extra, acima da maioria dos concorrentes comerciais.

(com informações de agências internacionais)
* texto atualizado com as declarações de Alckimin e a afirmação de Trump quanto à alíquota de 10%

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