Daniel Vorcaro e outros três investigados foram detidos sob acusação de espionagem, achaque e chantagem contra autoridades e até jornalista
| Daniel Vorcaro (Wikipédia/reprodução) |
As novas revelações das investigações da Polícia Federal na Operação Compliance Zero transformaram o que seria um dos maiores golpes financeiros do Brasil em combate a uma organização criminosa altamente profissional.
As informações liberadas pelo relator do caso no STF, ministro André Mendonça, começam a explicar como e por que a fraude do Banco Master demorou a ser contida.
Em contraposição à Procuradoria-Geral da República (PGR), Mendonça determinou a prisão preventiva do cabeça e de alguns dos auxiliares mais próximos, responsáveis inclusive por intimidações físicas. O substituto do ministro Dias Toffoli, afastado por envolvimento com Vorcaro, dá impressão de maior liberdade de ação da PF.
Baseada em apurações e decupagem de celulares apreendidos, a Polícia Federal prendeu na manhã desta quarta-feira (4/3) Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em sua residência em São Paulo. A prisão faz parte da terceira fase da operação, que já o levara à prisão anteriormente.
Além de Vorcaro, foram detidos Fabiano Campos Zettel, cunhado do empresário; Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário"; e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Mourão foi preso em Minas Gerais e tentou suicídio na sede da corporação, sendo socorrido pelo Samu.
As investigações revelam que o grupo mantinha uma estrutura clandestina chamada "A Turma", que recebia cerca de R$ 1 milhão mensais para monitorar e ameaçar críticos, jornalistas e autoridades. Entre os alvos estava o jornalista Lauro Jardim, d’O Globo, contra quem o grupo planejava simular um assalto para agredi-lo fisicamente, segundo mensagens interceptadas pela polícia.
O esquema teria usado indevidamente credenciais de terceiros para acessar sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Interpol, buscando informações sobre as investigações em andamento.
Fraude de R$ 17 bilhões
A operação apura a movimentação de títulos de crédito falsos no valor de até R$ 17 bilhões. O rombo pode exigir do Fundo Garantidor de Crédito um ressarcimento superior a R$ 50 bilhões. Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação de instituições ligadas ao grupo.
Veja mais detalhes da liquidação do Banco Master
A Justiça determinou o bloqueio de bens dos investigados no valor de até R$ 22 bilhões.
Servidores do Banco Central afastados
Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-chefe de fiscalização do Banco Central entre 2019 e 2023, período em que Vorcaro recebeu autorização para comprar o Banco Máxima (rebatizado como Master), foi afastado preventivamente. Ele e outros três servidores são investigados por suspeita de prestar consultoria informal ao empresário.
O ministro André Mendonça determinou a transferência de Vorcaro para o Centro de Detenção Provisória em Guarulhos. Também foi preso no mesmo local o cunhado, Zettel. A decisão ainda será analisada pela Segunda Turma do STF.
A defesa de Vorcaro nega as acusações e afirma que o empresário sempre colaborou com as autoridades. Sobre a ameaça ao jornalista, declarou que as frases estão fora de contexto.
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