panha Banco Master foi liquidado na mesma semana; colaboração deve durar até seis meses e pode coincidir com o período eleitoral
| Vorcaro no auge da fraude (Wikipédia/reprodução) |
Em uma semana marcada por desdobramentos acelerados, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, deu os primeiros passos formais em direção a um acordo de delação premiada com as autoridades federais. Na quinta-feira (19/3), Vorcaro assinou um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR), documento que abre oficialmente as negociações da colaboração. O caso ganhou ainda mais relevância com a liquidação, dias antes, do Banco Master Múltiplo pelo Banco Central.
Transferido do Presídio Federal de Brasília para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, Vorcaro chegou à sede da PF por volta das 19h de helicóptero, algemado e vestindo uniforme prisional. A movimentação foi precedida por uma reunião, na terça-feira (17/3), entre seu novo advogado, José Luis Oliveira Lima, conhecido como "Juca", e representantes da PF e do próprio ministro Mendonça, na qual foi sinalizada formalmente a intenção do ex-banqueiro de colaborar com as investigações.
Na mesma terça-feira (17/3), o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master Múltiplo S.A., encerrando um capítulo que já se arrastava desde novembro de 2025, quando a instituição passou a operar sob Regime de Administração Especial Temporária (RAET). O regime havia sido adotado com o objetivo de tentar viabilizar a continuidade da Will Financeira, braço operacional do grupo. A própria instituição, no entanto, comunicou ao BC que não havia mais razões para a manutenção do regime especial, abrindo caminho para a liquidação definitiva.
Formato inédito de Delação mira políticos e pressiona o Judiciário
Nesta sexta-feira (20/3), Vorcaro permanece detido na Superintendência da PF, onde recebe sua equipe jurídica para detalhar os chamados anexos da delação, documentos que especificam os fatos e nomes a serem revelados. Fontes ouvidas por jornalistas de Brasília indicam que o processo de colaboração deve levar entre três e seis meses, podendo chegar ao seu desfecho no auge do calendário eleitoral brasileiro.
O caso se destaca ainda por seu formato: trata-se de uma das primeiras grandes delações conduzidas de maneira conjunta entre a Polícia Federal e a PGR, modelo proposto pela defesa e aceito pelo relator no STF. Segundo fontes, o foco das revelações deve recair sobre figuras do meio político, embora haja forte pressão interna nas investigações em razão do vasto material que a PF detém envolvendo nomes do próprio Poder Judiciário, o que torna o caso um dos mais sensíveis dos últimos anos.
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