Trump submete Fifa à seleção dos EUA

Gianni Infantino anula suspensão de artilheiro por ordem presidencial

A falta de Balogun em Tarik (TV Fifa/reprodução)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sequer sabe o significado do cartão vermelho. Ele confessou a ignorância em entrevista coletiva na qual assumiu a ter pressionado a Fifa a anular a penalidade do principal jogador do time.

O atacante Folarin Balogun foi punido pelo árbitro brasileiro Rafael Claus após a confirmação pelo VAR que ele pisou em Tarik Muharemovic durante jogo contra a Bósnia-Herzegovina. Trump afirmou que “apenas” solicitou a revisão da decisão.

A Fifa negou interferência da Casa Branca, mas não explicou a suspensão da penalidade, que permite a atuação de Balogun na partida desta segunda-feira (6/7) pelas 16ªs de final. Sem explicar como nem por quê, a entidade adiou por um ano a suspensão, sem anular o cartão.

A ingerência inédita na entidade máxima do futebol torna Gianni Infantino o primeiro italiano submisso a um candidato a ditador da extrema-direita desde que o papa Pio XII se omitiu diante da caça de judeus pelo alemão Adolf Hitler.

Trump não se satisfez com a rendição do dirigente que lhe garantira um prêmio de consolação pela perda do almejado Nobel da Paz. Ele afirmou que o árbitro teve uma atitude suspeita.

A Bélgica, adversária dos EUA na partida, anunciou indignação e a possibilidade de recorrer da decisão, mas foi barrada burocraticamente pela Fifa. A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa), confederação europeia da modalidade, classificou o comportamento como incompreensível e injustificável. De acordo com ela, há situações que levam à subjetividade na interpretação das regras, mas não foi o caso.

Balogun foi com as travas da chuteira no tornozelo do oponente.

Em trecho de pronunciamento sobre o caso no site oficial, a UEFA dimensionou a gravidade da decisão para a Copa:

A suspensão automática mínima de uma partida após cartão vermelho não é uma opção discricionária e não exige que a decisão de um órgão competente seja promulgada. É um princípio consagrado nos regulamentos, que não pode ser sujeito a excepções, muito menos no meio de um torneio onde vários outros jogadores estiveram na mesma situação e cumpriram regularmente a sua suspensão.

Quando a certeza das regras não é mais garantida por seus guardiões, a integridade do jogo fica em jogo e a credibilidade de uma competição é prejudicada. Da mesma forma, tal decisão cria um precedente no torneio em andamento, onde situações semelhantes agora exigirão tratamento igualitário, em detrimento da competição.

 Veja  a íntegra do pronunciamento da UEFA

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