Diretoria da PF põe cargo à disposição em apoio a suspensos por STF

 Ato é acompanhado de manifesto em defesa da independência da instituição 

Seda da PF no DF (Valter Campanato/Ag. Brasil)

11 dos 15 diretores da PF colocaram o cargo à disposição em protesto a decisão de Mendonça de afastar dois diretores. 

Em nota enviada aos grandes veículos jornalísticos, eles repudiam “toda e qualquer tentativa de imputar a eles ou à Polícia Federal uma atuação não republicana. Tais acusações, desprovidas de fundamento, afrontam a história, a credibilidade e o compromisso institucional que sempre pautaram suas condutas.”

Veja a nota na íntegra:

Os Diretores da Polícia Federal vêm a público expressar seu total apoio ao Diretor-Geral, Delegado de Polícia Federal Dr. Andrei Rodrigues, e ao seu Diretor de Inteligência, Delegado de Polícia Federal Dr. Leandro Almada, diante dos injustificados ataques sofridos pela Polícia Federal na data de hoje.

Da mesma forma como a Instituição Polícia Federal tem, em sua história e feitos, a razão de sólida admiração dos brasileiros, o Dr. Andrei também conta com um percurso profissional dedicado à defesa da PF, com atuação técnica, isenta e responsável.

Narrativas marcadamente influenciadas por interesses político-eleitorais não têm o poder de apagar a história, a reputação e a trajetória profissional de quem quer que seja.

Assim, cumprindo nosso dever de defender a Instituição de ataques e tentativas de usurpação de funções, e assegurando o interesse público na manutenção de uma Polícia Federal capaz de promover justiça e assegurar o Estado Democrático de Direito, tornamos público nosso apoio aos diretores.

Para que fique absolutamente claro, repudiamos toda e qualquer tentativa de imputar a eles ou à Polícia Federal uma atuação não republicana. Tais acusações, desprovidas de fundamento, afrontam a história, a credibilidade e o compromisso institucional que sempre pautaram suas condutas. Neste ato, colocamos nossos cargos à disposição do Diretor-Geral substituto.

 Crise na PF contamina campanha

A cúpula do governo federal  discute como tratar o caso, já em prejuízo do desempenho de Lula nas pesquisas. Se o afastamento judicial da diretoria da PF invade a atribuição exclusiva do Executivo, a contestação das ações do ministro André Mendonça pode ser interpretada como defesa de Alexandre de Moraes.

Moraes, com indícios de relações comerciais e pessoais com Daniel Vorcaro, dono do banco Master, não explicou as ligações reveladas por Mendonça, relator do caso Master. Lula poderia passar por conivente com o suposto crime.

A oposição e os adversários eleitorais pedem a cassação de Moraes, enquanto petistas e governistas lembram de suspeitas das ligações não menos republicanas entre Mendonça e Vorcaro. 

A Advocacia-Geral da União deve questionar na Corte a ação de Mendonça.  

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