Instituição de Augusto Lima ficou sem caixa para honrar CDBs e sem credibilidade por ligação com Master
| Augusto Lima (reprodução) |
O Banco Central decretou nesta quarta-feira (18/2) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A. Junto, a Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. As duas instituições são controladas pelo empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, e integravam o conglomerado prudencial Pleno.
Veja a intervenção no Banco Master
De acordo com o BC, a liquidação foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da liquidez, além de infringência às normas que disciplinam a atividade bancária e inobservância de determinações do próprio Banco Central.
Veja a nota oficial do Banco Central
A liquidação do Pleno era esperada pelos agentes do mercado financeiro. Segundo reportagem da jornalista Adriana Fernandes, publicada na Folha de S.Paulo, o banco não tinha recursos em caixa para pagar os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) que estavam vencendo.
Lima vinha vendendo ativos pessoais, que teriam alcançado R$ 600 milhões, e buscava um investidor para manter a instituição em funcionamento. A vinculação com o escândalo do Master dificultou as negociações.
O conglomerado é classificado como de porte pequeno, enquadrado no segmento S4 da regulação prudencial, e detém apenas 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional. O risco de que a nova ação do BC cause pânico no mercado é tão insignificante quanto o tamanho do Pleno.
O Banco Central informou que continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar responsabilidades, podendo aplicar sanções administrativas e realizar comunicações às autoridades competentes. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos administradores da instituição liquidada.
Quem é Augusto Lima
Augusto Lima deixou a sociedade no Banco Master em maio de 2024. Como parte do rearranjo societário, ficou com o controle do então Banco Voiter — posteriormente rebatizado como Pleno — e com a operação do Credcesta, cartão de benefício consignado. A transferência de controle foi aprovada pelo Banco Central em julho de 2025. Desde que assumiu a instituição, o empresário realizou aportes que totalizam R$ 160 milhões.
O banqueiro foi preso em novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal no mesmo dia em que o BC determinou a liquidação do Banco Master. Lima foi solto cerca de duas semanas depois por decisão judicial. Ele é investigado por suspeitas de irregularidades em carteiras de crédito consignado vendidas pelo Master ao Banco de Brasília (BRB).
Trânsito político da direita à esquerda
Além da atuação no setor financeiro, Lima manteve amplo trânsito político da direita à esquerda. Ele é casado com Flávia Arruda, ex-ministra da Secretaria de Governo no mandato de Jair Bolsonaro e ex-deputada federal pelo PL do Distrito Federal.
As ligações com o PT na Bahia decorrem do controle do Credcesta. O sistema nasceu da privatização da Ebal, estatal baiana que controlava a rede Cesta do Povo e operava o cartão consignado de servidores do estado. Lima seria o responsável por organizar as operações de crédito consignado voltadas ao funcionalismo público baiano.
A conta do Pleno pendurada no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), responsável pelo ressarcimento a investidores e correntistas, deve girar em torno de R$ 5 bilhões.
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