Analfabetismo cai abaixo de 5% pela primeira vez desde 2016

Levantamento do IBGE mostra avanço na educação, mas desigualdades raciais, regionais e de gênero continuam marcantes

Foto: Tomaz Silva/Ag. Brasil

O Brasil tinha 8,4 milhões de pessoas analfabetas em 2025, o que corresponde a uma taxa de analfabetismo de 4,9%, segundo o módulo Educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgado hoje (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a primeira vez desde 2016 que a taxa fica abaixo de 5%, e o resultado representa uma redução de 592 mil pessoas em relação ao ano anterior. Apesar do avanço, o país não cumpriu a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que previa a erradicação do analfabetismo até 2024.

Nordeste concentra mais da metade dos analfabetos

Mais da metade dos analfabetos do país — 4,8 milhões de pessoas — está concentrada no Nordeste, região que registra a maior taxa de analfabetismo entre as cinco grandes regiões brasileiras, de 10,6%. A população com 60 anos ou mais responde por 58% do total de analfabetos, somando 4,9 milhões de pessoas.

Nesse grupo etário, a pesquisa identificou uma mudança histórica: pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre mulheres idosas (13,7%) ficou ligeiramente abaixo da registrada entre os homens (14,1%). Já o recorte racial revela uma disparidade persistente — pessoas pretas e pardas idosas têm taxa de analfabetismo de 20,6%, quase três vezes superior à observada entre brancos da mesma faixa etária (7,3%).

Quando a população idosa é excluída da análise, a taxa de analfabetismo entre brasileiros de 15 a 59 anos cai para 2,6%, evidenciando o peso que as gerações mais antigas — que tiveram menos acesso à escola no passado — ainda exercem sobre o indicador nacional.


Avanços na conclusão do ensino médio, mas desigualdades seguem

Entre os dados positivos do levantamento, está o fato de que, pela primeira vez, mais da metade da população preta ou parda com 25 anos ou mais (51,3%) concluiu o ensino médio. Ainda assim, a pesquisa aponta desigualdades de acesso e permanência na escola: entre jovens de 15 a 17 anos, homens (77,4%) e pretos ou pardos (77,8%) frequentam o ensino médio em proporção menor do que mulheres (84%) e brancos (84,9%).


Falta de vagas afeta educação infantil no Norte e Nordeste

O estudo também revela deficiências na oferta de educação infantil em determinadas regiões do país. No Norte, 35,2% dos bebês de 0 a 1 ano e 44,5% das crianças de 2 a 3 anos estavam fora da creche por falta de escola, de vaga ou por não aceitação da matrícula. No Nordeste, os percentuais foram de 36,1% e 37,2%, respectivamente.

Por outro lado, houve avanço no ensino fundamental: a proporção de crianças de 6 a 14 anos cursando a etapa adequada à idade chegou a 96,1%, superando a meta estabelecida pelo PNE — embora o indicador ainda não tenha retornado aos níveis observados antes da pandemia de Covid-19.


Abandono escolar é maior entre adolescentes

A pesquisa identificou que as maiores taxas de abandono escolar ocorrem justamente na adolescência, aos 16 anos (18,5%), 17 anos (20,0%) e 18 anos (17,6%). Entre os jovens de 14 a 29 anos que não estudam, 25,6% afirmaram não ter interesse em retomar os estudos.

Entre as mulheres dessa faixa etária, os principais motivos declarados para a evasão escolar foram o trabalho (26,2%) e a gravidez (24,7%). O levantamento também mostra um contraste racial entre os jovens com ensino superior: na faixa de 18 a 24 anos, 6,2% dos brancos com nível superior completo não frequentam mais nenhuma instituição de ensino — proporção mais que duas vezes superior à registrada entre pretos ou pardos no mesmo grupo (3,0%).


(Fonte: IBGE/PNAD Contínua — Educação, com reponderação da série 2016–2025 a partir do Censo Demográfico 2022)

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