Deu a lógica; Advogado-Geral da União era o favorito do presidente, contra nome do Legislativo
| Jorge Messias (José Cruz/Ag. Brasil) |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou nesta quinta-feira (20/11) o advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Messias tem 45 anos e poderá ficar no Supremo pelos próximos 30 anos, quando completar 75 anos, idade para aposentadoria compulsória.
Nascido no Recife, o futuro ministro é procurador concursado da Fazenda Nacional desde 2007. Ele é formado em direito pela Faculdade de Direito do Recife (UFPE) e possui os títulos de mestre e doutor pela Universidade de Brasília (UnB).
Indicado é o "Bessias" de Dilma Rousseff
Durante o governo da presidenta Dilma Rousseff, Messias foi subchefe para Assuntos Jurídicos da Presidência da República.
Como assessor direto da presidente, foi o encarregado de levar pessoalmente a carta de nomeação do então ex-presidente Lula, ministro, a fim de blindá-lo da Operação Lava-Jato. A comunicação do envio por telefone, interceptado e divulgado pelos procuradores de Curitiba, o tornou conhecido como "Bessias", a forma como Dilma teria pronunciado seu sobrenome.
Jorge Messias está no comando da AGU desde 1º de janeiro de 2023, início do terceiro mandato de Lula. Seu nome estava na mesa sempre que o cardápio fosse a indicação para o Supremo. Ganhou força e concorrência em meados do ano, quando Barroso deixou ventilar que poderia antecipar a aposentadoria.
O processo político da indicação de Jorge Messias
Desde a confirmação da saída de Barroso, no início de outubro, Lula foi pressionado por movimentos sociais a escolher uma mulher preta. O lobby também foi grande pelo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), o baiano Bruno Dantas. O concorrente mais forte, porém, foi o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
O ex-presidente do Senado, com boas relações com o governo, foi bancado pessoalmente pelo sucessor na presidência da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). Embora distante do Centrão e dos bolsonaristas, ele teve o apoio destes setores por se tratar de um igual. Seria melhor ter um ex-parlamentar do que alguém mais próximo de Lula, como Messias.
Lula preferia Pacheco na disputa pelo governo de Minas Gerais no ano que vem. Calejado com o tratamento recebido por indicados ao STF desde o Mensalão, ele não abriu mão de ter um nome cuja afinidade dificilmente derraparia.
O anúncio era esperado já há cerca de um mês. Lula deixou maturar lentamente seu interesse. Alcolumbre, por fim, declarou seguir com Pacheco, mas reconheceu a prerrogativa do presidente. Pacheco afirmou que deixará a vida pública, ao fim de seu mandato, em 2026, descartando a possibilidade de concorrer a governador.
A escolha de Lula está ancorada na certeza de ter a maioria no Senado, onde pretende inclusive reverter a larga derrota por 370 a 110 na votação do PL Antifacção pela Câmara dos Deputados. Além de leal e aparentemente impoluto, Messias tem ainda a vantagem de pertencer a segmento eleitoral ainda arredio a Lula, os evangélicos. Messias é verdadeiramente evangélico da Igreja Batista.
(com informações da Ag. Brasil)
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